O que NÃO dizer para alguém em luto?

Como conselheiro, as duas perguntas que eu mais recebo são:

  1. “O que eu devo DIZER para tal pessoa?”
  2. “O que eu devo FAZER para tal pessoa?”

Enquanto Nina ainda estava no útero, com o intuito de nos providenciarem consolo, recebemos muitos comentários e palavras desconcertantes. “Poderia ser pior, né?” “Você me parece bem.” “Deus está no controle de tudo, não tema.”

Dizer a verdade é essencial [clique aqui para um post sobre isso], mas a verdade sem amor não é completamente amor. Dizer a verdade não é suficiente para consolar alguém que está no processo de luto (um conjunto complexo de emoções). Aquele que deseja consolar deve se cuidar para apresentar o amor de acordo com a cultura e personalidade do indivíduo a ser consolado. Por exemplo, abraçar um brasileiro cuja mãe faleceu expressa algo diferente do que abraçar alguém da cultura oriental, onde abraços são mais raros e a noção de espaço físico pessoal é distinto. O significado das flores, a cor da roupa e a forma como se comportar num funeral são detalhes que podem ter diferentes significados, até mesmo dentro de uma mesma nação. O sotaque da população nortista e sulista não é a única diferença entre eles. Conhecer a pessoa a quem pretendemos ajudar é um desafio de amor e um tesouro de informação.

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A verdade é fundamental para o verdadeiro consolo

Não preciso usar muitas palavras para convencer as pessoas a respeito da dor existente na triste experiência de perder um filho. E com tamanha dor somos tentados a deixar de lado a razão e a fé – a porta do abrigo parece estar trancada e a única aparente opção é assistir e pensar, com algum cuidado, na tempestade do lado de fora. Nesta tempestade (sofrimento intenso), raios e trovões estão presentes: “Por que isso aconteceu comigo?” “Por que Deus permitiu isso?” “Será que tenho alguma culpa?” Durante a minha tempestade, a morte de minha filha Nina, um destes raios foi a pergunta: “onde ela está agora?”

Ainda que eu não pretenda tornar essa mensagem um artigo teológico, eu preciso avisá-los: saber a verdade foi fundamental para eu entrar no abrigo.

Foi em 1999 quando o dono da chave deste abrigo, percebendo que eu estava perdido, se introduziu e me ofereceu um presente irrecusável. Após receber o imerecido presente, entramos no abrigo, o qual me trouxe uma paz sem igual. Falar tanto do abrigo quanto dessa paz soa como loucura para alguns. Naquele dia, quando nos conhecemos, ele disse que eu tinha livre acesso ao abrigo, mas os estrondos da tempestade de 2012 me deixaram confuso e eu me esqueci do livre acesso. Eu até havia tentado entrar, mas eu não tinha girado completamente a maçaneta da porta de entrada.

Enquanto isso, do lado de fora e sob a tempestade, eu busquei soluções baseadas no meu conhecimento. Eu tinha muitas respostas para diversas perguntas, mas meu conhecimento não era suficiente para lidar com as perguntas daquela tempestade – “onde minha filha está agora?” Tudo o que eu sabia ser verdade[1] eu havia aprendido por intermédio do dono da chave do abrigo.

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Histórias que edificam

Desde que iniciei o site Nina Minha Filha, foram vários os recados que eu recebi. Em geral eles foram de mães que compartilham de uma história muito semelhante a nossa. Todas elas descrevem algo com base no tema “síndrome;” a maior parte Patau (T13), uma pequena parte Edwards (T18). Algumas destas mães têm notoriamente sua esperança em Deus, outras, entretanto, buscam conhecê-lO no instante que percebem enfrentar o que eu já chamei (e ainda considero) de momento mais difícil de minha vida.

Ouvir e ler tantos depoimentos ratifica o que eu acreditava: nossa história não era nenhuma novidade debaixo do sol. Ao mesmo tempo que eu me entristeço em pensar que com grande frequência pais recebem a notícias que seu rebento é portador de uma síndrome, seja qual for ela, conforto-me em pensar que existem pessoas que podem ajudar seu próximo através de suas histórias, especialmente quando compartilham de seus sentimentos mais profundos com sabedoria, amor e graça.

Compartilhar histórias, saber contá-las e ouvi-las, é uma das formas de Deus nos edificar. Quando Karen e eu soubemos que Nina era portadora da Trissomia do cromossomo 13, encontramos algumas pessoas maduras que já tinham passado por uma situação semelhante. Crescemos muito em conhecimento e nos sentimos mais consolados à medida que percebíamos o agir de Deus em cada um dos casos ouvidos.

Triste pela demora, mas contente pela descoberta, desculpei-me hoje para cada pessoa que me escreveu no Facebook e sua mensagem estava na caixa “outros.” Não sabia de sua existência. Parece-me que lá são enviadas as mensagens de pessoas que não são minhas amigas nesta rede social. Bem, espero que o ditado “antes tarde do que nunca” seja suficiente. Mais uma vez, perdoem-me vocês que eu não escrevi anteriormente. Foi este acontecimento que me motivou a escrever este post.

Algumas mensagens

Mais do que ficar contente por eu ser algum tipo de referência para as pessoas esclarecerem seus questionamentos sobre a patologia, sou extremamente alegre por poder anunciar a certa esperança em Jesus Cristo. É com isto em mente que transcrevo as mensagens que estavam em meu Facebook, mantendo os autores em sigilo:

Olá vi seu video na internet fiquei muito emocionada pois tenho uma filha portadora dessa sindrome hoje ela tem 5 anos e o nosso maior presente de Deus e como está sua Nina se quiser me adcionar para trocar esperiencia e testemunho desse Deus maravilhos pois a minha A. é uma grande milagre e promessa de Deus. Abraço. (A.M.M.)

Boa tarde irmãos!!
Pesquizando sobre Síndrome de Patau encontrei o lindo testemunho de vocês,também sou evangélica da igreja de nova vida em Nova Iguaçu no Rio de Janeiro, temos um menino e tivemos uma filha com esta Sindrome,faz dois meses que ela faleceu,nasceu com 26 semanas e viveu 9 dias na UTI. Hoje sabemos o que é realmente desfrutar da paz de Deus,e viver com alegria e felicidade independente de qualquer situação,Deus não nos abondona em nenhum momento e temos experimentado o cuidado de Deus em todas as situações, assim como os irmão descreveram e exatamente, como Deus tem nos sustentado. Tenho certeza que o testemunho dos irmãos está alcançando muitas vidas e que Deus já está sendo glorificado. Deus os abençoe grandemente!! Abçs. (E.S.)

Tiago sou a t. de campinas vi o videio no youtube,eu também tive uma filha com o mesmo problema,quando eu vi a historia,igualzinho a minha,a minha filha faleceu com 3 meses de vida,deus da muita força pra nos,fica com deus,gostaria de conversar um dia com voceis, viu? (T.C.)

Olá Thiago, vi o vídeo de vocês e queria muito ter contato com vocês, adicionei a sua esposa, sei que não nos conhecemos, mas passamos pela mesma situação em 2012, minha linda I. também tinha síndrome de Patau e queria poder conversar com vocês a respeito, dando-nos força, esclarecendo dúvidas, se puderem aceitar meu convite ficarei muito grata! Deus os abençoe! (G.S.)

Bom Dia Thiago.. Deus tem usado grandemente minha Vida pelo seu Blog e pelos testemunhos.. Estou passando por isso tbm.. Descobri a 2 semanas que Meu Pequeno M. tem Provavelmente Sindrome de patau.. Devido as Malformações estou esperando o resultado pra comprovar se é ou não Patau.. Sou da igreja quadrangular e eu e meu esposo estávamos Afastado.. Seiii que Deus tem um Plano Para nosso M. e ele já está Transformando Nossa Vida..!! Dóii muitoo Mais ao mesmo tempo fico Feliz em fazer parte de algo da parte de Deus.. Sei que muitas vidas serão restauradas através da vida do M… Que Deus continue abençoando td sua familia.. e O ministério de vcs..!! Abraços. (J.N.)

Tenho um enorme prazer em ouvir (ler) e interagir com cada história que chega ao meu conhecimento. Oro para que Deus me dê discernimento para consolar, motivar, guiar, chorar e alegrar-me com cada pessoa que me escreve. Meu alvo é ajudar no preenchimento de todas as necessidades daquele ou daquela que me procura. Às vezes  é ajudar no entendimento sobre qual a chance do próximo filho ser acometido com a mesma dificuldade genética, às vezes é ajudar no conhecimento de algum médico que entenda a questão com outra cosmovisão sobre a vida, às vezes é ajudar numa escolha para coleta de dados genéticos da criança enquanto dentro da mamãe.

Espero, de fato, sempre ajudar a preencher as necessidades de cada coração. Trabalho na busca e na divulgação da verdade, tendo como primazia, a necessidade que todo homem e mulher têm. Dostoiévski e eu concordamos: “existe no homem um vazio do tamanho de Deus.”

Que toda oportunidade de compartilhar histórias redunde para honra e glória de Deus.