A verdade é fundamental para o verdadeiro consolo

Não preciso usar muitas palavras para convencer as pessoas a respeito da dor existente na triste experiência de perder um filho. E com tamanha dor somos tentados a deixar de lado a razão e a fé – a porta do abrigo parece estar trancada e a única aparente opção é assistir e pensar, com algum cuidado, na tempestade do lado de fora. Nesta tempestade (sofrimento intenso), raios e trovões estão presentes: “Por que isso aconteceu comigo?” “Por que Deus permitiu isso?” “Será que tenho alguma culpa?” Durante a minha tempestade, a morte de minha filha Nina, um destes raios foi a pergunta: “onde ela está agora?”

Ainda que eu não pretenda tornar essa mensagem um artigo teológico, eu preciso avisá-los: saber a verdade foi fundamental para eu entrar no abrigo.

Foi em 1999 quando o dono da chave deste abrigo, percebendo que eu estava perdido, se introduziu e me ofereceu um presente irrecusável. Após receber o imerecido presente, entramos no abrigo, o qual me trouxe uma paz sem igual. Falar tanto do abrigo quanto dessa paz soa como loucura para alguns. Naquele dia, quando nos conhecemos, ele disse que eu tinha livre acesso ao abrigo, mas os estrondos da tempestade de 2012 me deixaram confuso e eu me esqueci do livre acesso. Eu até havia tentado entrar, mas eu não tinha girado completamente a maçaneta da porta de entrada.

Enquanto isso, do lado de fora e sob a tempestade, eu busquei soluções baseadas no meu conhecimento. Eu tinha muitas respostas para diversas perguntas, mas meu conhecimento não era suficiente para lidar com as perguntas daquela tempestade – “onde minha filha está agora?” Tudo o que eu sabia ser verdade[1] eu havia aprendido por intermédio do dono da chave do abrigo.

Apesar do meu conhecimento ser insuficiente para lidar com a pergunta da minha tempestade, eu sabia mais do que o suficiente para achar a resposta. Pensar por este ângulo me ajudou a tirar o foco da tempestade e a colocá-lo de volta ao local apropriado, de fato, na pessoa certa, no dono da chave. Foi aí quando eu me lembrei que a porta do abrigo não ficava trancada.

Interessante como o conhecimento que eu tinha, apesar de não ser pleno, ajudou-me plenamente na multiplicação da graça e paz que eu queria e necessitava [veja 2Pedro 1.2], afinal de contas, eu sabia que precisava entrar no abrigo; e eu entrei.

Não me surpreendi com a hospitalidade do dono da chave, tampouco quando ele, com tremenda compaixão pelo meu sofrimento e fraqueza, olhou em meus olhos e disse num tom de voz muito doce: “eu conheço exatamente a dor e a pergunta que lhe afligem.” [Hb 5.15] Envolvido e admirado por tão grande amor, eu nem consegui abrir minha boca; nem precisava. Nisso, ele apontou para um livro que estava num sofá e disse: “a resposta que você quer está naquele livro, mas o que você realmente precisa está diante de você.” [Ex. Lc 10.38-42]

Naquele exato momento eu me recordei e experimentei algo na intensidade que eu precisava para lidar com meu sofrimento: a paz de Deus que excede todo o entendimento [Fp 4.7], cujo propósito me leva à fonte da minha existência: o dono da chave, Jesus Cristo. “Onde está minha filha?” – saber o lugar já não era mais fundamental para eu lidar com meu sofrimento.

As palavras do dono da chave me levaram a aplicar minha fé na verdade que eu conhecia sobre ele. “Deus é amor.” “Deus é justo.” “Deus é soberano e nada foge da Seu amor e Sua justiça.” Conhecer suficientemente a verdade foi necessário para que eu usufruísse do verdadeiro descanso que eu queria e precisava. Conhecer a verdade é pré-requisito para usufruir da verdade e, assim, descansar de verdade.

Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. (João 17.17)

Sou o caminho a verdade e a vida. (João 14.6)

Sorrindo, ao invés de aflito, fui até o livro que ele me apontou. Ainda sentia que poderia somar à resposta que já era suficiente; eu sentia que o dono da chave queria que eu conhecesse ainda mais o que ele chama de verdade – e o que ele chama de verdade é Verdade. Assim, peguei aquele livro, a Bíblia, e comecei a estudar e meditar nela. Realmente aprendi mais, todavia, nada que fortalecesse minha alegria de depender da justiça e do amor de Deus.

Quero compartilhar dois exemplos dos vários que eu aprendi nessa pesquisa bíblica. No primeiro, ao contrário do que dizem alguns, ratifiquei que a minha filha não se transformou num anjo. Ela continua, em sua essência, a imagem e semelhança de Deus [Gn 1]. Você consegue imaginar a honra que cada homem e mulher têm por ter sido criado assim? A Bíblia não confere aos anjos esta mesma honra. Aliás, o autor de Hebreus pergunta retoricamente: Os anjos não são, todos eles, espíritos ministradores enviados para servir aqueles que hão de herdar a salvação? [1.14] Se você é filho de Deus [Jo 1.12], então saiba que um anjo já trabalhou para o seu benefício. Segundo, também revi que a Bíblia apresenta toda a humanidade carente de Deus para a salvação. No entanto, ela não trata especificamente sobre como a salvação (ou a perdição) ocorre àqueles os quais ainda não possuem cognição suficiente para responder positivamente ao Evangelho. Ainda que eu tenha argumentos bíblicos para dizer onde minha filha está hoje, e creio ser ao lado de Deus, meu argumento de consolo não precisa ir além do que eu já compartilhei: conhecer o amor e a justiça de Deus são suficientes para mim. Ele, melhor do que qualquer outra pessoa, fará o que é melhor!

Atenção, note que é imprescindível que você conheça a Bíblia. Meus exemplos acima somente ratificam isso. A questão é que nem sempre teremos todas as respostas que queremos e, mesmo quando temos algumas delas, não são as respostas em si que trazem consolo, mas o quanto elas colaboram para você perceber que o consolo verdadeiro se baseia no seu relacionamento com o dono da chave do abrigo. Quanto mais íntimo você for dele, ou seja, quanto melhor for seu relacionamento com ele, ainda, quanto mais você conhecer sobre ele, melhor você entenderá a si mesmo e como poderá lidar com seus sofrimentos.

É possível que agora você esteja em meio a uma tempestade: “Por que isso aconteceu comigo?” “Por que Deus permitiu isso?” “Será que tenho alguma culpa?” Conhecer a verdade para as perguntas de sua tempestade é essencial para experimentar o verdadeiro consolo que vem do único e verdadeiro Deus.

Se você ainda não conhece Jesus Cristo como a Bíblia apresenta, eu quero encorajá-lo a hoje mesmo começar a ler e meditar em suas Palavras. Sugiro que comece pelo evangelho de Marcos. Sugiro também que busque uma igreja sadia, ou seja, cujo ensino das Escrituras é real e constante. Também me coloco à disposição para lhe ajudar com seu conhecimento a respeito da verdade.

Nunca se esqueça que Jesus, melhor do que cada um de nós, conhece profundamente a dor da separação. Na cruz, quando nossos pecados caíram sobre Ele, Jesus sofreu a maior de todas as Suas dores: Ele foi separado do Pai [Mt 7.46]. Recorra a Ele e peça por socorro. Apresente-se ao dono da chave e creia nEle! Somente Jesus tem a chave do verdadeiro abrigo.

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[1] Ou seja, a verdadeira cosmovisão eu aprendi por intermédio do dono da chave do abrigo.

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