Por que o tomaste de mim, Deus?

Por Tirzah Fernandes Pinto

Enfrentar perda e separação é parte de vivermos neste mundo caído. A morte, assustadora e inclemente, sempre paira no horizonte, por mais que olhemos para o outro lado.

Quando ela ceifa um de nossos amados, somos rápidos a perguntar: “Por que o tomaste de mim, Deus?” Porém, quantas vezes fizemos a pergunta inversa. “Por que o deste a mim, Deus?”

Tudo que Deus nos dá tem propósito. Aqueles que Ele nos deu por um pouco de tempo não foram mero acaso, tampouco uma cruel provocação. O impacto que cada um tem na vida do outro, para bem ou mal, nunca é desperdiçado nos planos de Deus.

Copiado do Facebook.

Graças dou

Em homenagem a uma amiga que possivelmente não compreende (ainda) o quanto sua vida influenciou a minha vida e a de minha família dando-nos condições de enfrentar o sofrimento com a morte de nossa filha com os olhos fixos no alvo correto: Jesus Cristo.

Graças Dou

Harpa Cristã 597

Graças dou por esta vida: pelo bem que revelou.
Graças dou pelo futuro, e por tudo que passou.
Pelas bênçãos derramadas, pela dor, pela aflição,
Pela graça revelada! – graças dou pelo perdão.

Graças pelo azul celeste e por nuvens que há também,
Pelas rosas do caminho, por espinhos que elas têm,
Pela escuridão da noite, pela estrela que brilhou,
Pela prece respondida, pelo sonho que falhou.

Pela cruz e o sofrimento e por toda provação,
Pelo amor que é sem medida, pela paz no coração,
Pela lágrima vertida, pelo alivio que é sem par.
Pelo dom da eterna vida, sempre graças hei de dar!

A vívida experiência pela oportunidade da vida

A vídeo abaixo (em inglês) mostra de uma forma bastante vívida as emoções que envolvem a descoberta de um filho com síndrome de Patau.

Transcrevo (e traduzo) uma frase da mãe que me chamou a atenção:

Eu estou com medo de dizer adeus, mas eu não consigo imaginar como seria se não tivesse essa oportunidade, de conhecê-lo e… Amá-lo.

Clique aqui para vê-lo no Facebook com legendas em português.

Semelhantemente, a oportunidade que Deus nos deu de viver com Nina em casa nos trouxe muitas lições, além de uma alegria indescritível. Foi um presente de Deus tê-la em casa conosco, conhecê-la e amá-la.

Histórias que edificam

Desde que iniciei o site Nina Minha Filha, foram vários os recados que eu recebi. Em geral eles foram de mães que compartilham de uma história muito semelhante a nossa. Todas elas descrevem algo com base no tema “síndrome;” a maior parte Patau (T13), uma pequena parte Edwards (T18). Algumas destas mães têm notoriamente sua esperança em Deus, outras, entretanto, buscam conhecê-lO no instante que percebem enfrentar o que eu já chamei (e ainda considero) de momento mais difícil de minha vida.

Ouvir e ler tantos depoimentos ratifica o que eu acreditava: nossa história não era nenhuma novidade debaixo do sol. Ao mesmo tempo que eu me entristeço em pensar que com grande frequência pais recebem a notícias que seu rebento é portador de uma síndrome, seja qual for ela, conforto-me em pensar que existem pessoas que podem ajudar seu próximo através de suas histórias, especialmente quando compartilham de seus sentimentos mais profundos com sabedoria, amor e graça.

Compartilhar histórias, saber contá-las e ouvi-las, é uma das formas de Deus nos edificar. Quando Karen e eu soubemos que Nina era portadora da Trissomia do cromossomo 13, encontramos algumas pessoas maduras que já tinham passado por uma situação semelhante. Crescemos muito em conhecimento e nos sentimos mais consolados à medida que percebíamos o agir de Deus em cada um dos casos ouvidos.

Triste pela demora, mas contente pela descoberta, desculpei-me hoje para cada pessoa que me escreveu no Facebook e sua mensagem estava na caixa “outros.” Não sabia de sua existência. Parece-me que lá são enviadas as mensagens de pessoas que não são minhas amigas nesta rede social. Bem, espero que o ditado “antes tarde do que nunca” seja suficiente. Mais uma vez, perdoem-me vocês que eu não escrevi anteriormente. Foi este acontecimento que me motivou a escrever este post.

Algumas mensagens

Mais do que ficar contente por eu ser algum tipo de referência para as pessoas esclarecerem seus questionamentos sobre a patologia, sou extremamente alegre por poder anunciar a certa esperança em Jesus Cristo. É com isto em mente que transcrevo as mensagens que estavam em meu Facebook, mantendo os autores em sigilo:

Olá vi seu video na internet fiquei muito emocionada pois tenho uma filha portadora dessa sindrome hoje ela tem 5 anos e o nosso maior presente de Deus e como está sua Nina se quiser me adcionar para trocar esperiencia e testemunho desse Deus maravilhos pois a minha A. é uma grande milagre e promessa de Deus. Abraço. (A.M.M.)

Boa tarde irmãos!!
Pesquizando sobre Síndrome de Patau encontrei o lindo testemunho de vocês,também sou evangélica da igreja de nova vida em Nova Iguaçu no Rio de Janeiro, temos um menino e tivemos uma filha com esta Sindrome,faz dois meses que ela faleceu,nasceu com 26 semanas e viveu 9 dias na UTI. Hoje sabemos o que é realmente desfrutar da paz de Deus,e viver com alegria e felicidade independente de qualquer situação,Deus não nos abondona em nenhum momento e temos experimentado o cuidado de Deus em todas as situações, assim como os irmão descreveram e exatamente, como Deus tem nos sustentado. Tenho certeza que o testemunho dos irmãos está alcançando muitas vidas e que Deus já está sendo glorificado. Deus os abençoe grandemente!! Abçs. (E.S.)

Tiago sou a t. de campinas vi o videio no youtube,eu também tive uma filha com o mesmo problema,quando eu vi a historia,igualzinho a minha,a minha filha faleceu com 3 meses de vida,deus da muita força pra nos,fica com deus,gostaria de conversar um dia com voceis, viu? (T.C.)

Olá Thiago, vi o vídeo de vocês e queria muito ter contato com vocês, adicionei a sua esposa, sei que não nos conhecemos, mas passamos pela mesma situação em 2012, minha linda I. também tinha síndrome de Patau e queria poder conversar com vocês a respeito, dando-nos força, esclarecendo dúvidas, se puderem aceitar meu convite ficarei muito grata! Deus os abençoe! (G.S.)

Bom Dia Thiago.. Deus tem usado grandemente minha Vida pelo seu Blog e pelos testemunhos.. Estou passando por isso tbm.. Descobri a 2 semanas que Meu Pequeno M. tem Provavelmente Sindrome de patau.. Devido as Malformações estou esperando o resultado pra comprovar se é ou não Patau.. Sou da igreja quadrangular e eu e meu esposo estávamos Afastado.. Seiii que Deus tem um Plano Para nosso M. e ele já está Transformando Nossa Vida..!! Dóii muitoo Mais ao mesmo tempo fico Feliz em fazer parte de algo da parte de Deus.. Sei que muitas vidas serão restauradas através da vida do M… Que Deus continue abençoando td sua familia.. e O ministério de vcs..!! Abraços. (J.N.)

Tenho um enorme prazer em ouvir (ler) e interagir com cada história que chega ao meu conhecimento. Oro para que Deus me dê discernimento para consolar, motivar, guiar, chorar e alegrar-me com cada pessoa que me escreve. Meu alvo é ajudar no preenchimento de todas as necessidades daquele ou daquela que me procura. Às vezes  é ajudar no entendimento sobre qual a chance do próximo filho ser acometido com a mesma dificuldade genética, às vezes é ajudar no conhecimento de algum médico que entenda a questão com outra cosmovisão sobre a vida, às vezes é ajudar numa escolha para coleta de dados genéticos da criança enquanto dentro da mamãe.

Espero, de fato, sempre ajudar a preencher as necessidades de cada coração. Trabalho na busca e na divulgação da verdade, tendo como primazia, a necessidade que todo homem e mulher têm. Dostoiévski e eu concordamos: “existe no homem um vazio do tamanho de Deus.”

Que toda oportunidade de compartilhar histórias redunde para honra e glória de Deus.

Cartas da História (Parte 11)

Parte 12
30/01/2012 – Orando por Nina, orando pelo Reino do Senhor Jesus
Queridos,
Como muitos de vocês já sabem, desde 01 de dezembro eu e minha família estamos em Campinas-SP. Quando esta data foi estabelecida, nada passava em nossa cabeça sobre ficar mais de um mês, tempo inicialmente planejado. Deixe-me lhes contar um pouquinho sobre isso.
 
Há cerca de um ano e meio, através de uma radiografia, foi visto algo estranho entre minha tíbia e fíbula (ossos da perna). Achamos que fosse um osteocondroma (tumor benigno ósseo), pois eu já havia tido um no mesmo lugar há 12 anos. Decidimos que eu faria a cirurgia em Campinas, em dezembro de 2011. Assim, marcamos em aproximadamente agosto/setembro de 2011 o dia de nossa aterrissagem para este fim. Daí vieram as notícias sobre Nina.
 
Na primeira fase, quando descobrimos que ela tinha lábio leporino e fenda palatal, conversamos com a liderança da IBCU, que nos sugeriu ficarmos um ano e meio para cuidarmos deste problema. Depois, ao descobrimos a síndrome, há menos de 10 dias de nossa aterrissagem, consideramos ficar seis meses a menos, ou seja, um ano completo. Pela misericórdia de Deus foi descoberto que eu não precisaria da cirurgia. Motivo: a imagem que se suspeitava não era um tumor benigno, mas um calo ósseo que cresceu de ambos os lados e se juntou, possivelmente decorrente da cirurgia, há 12 anos. Aleluia!
 
No final deste mês (janeiro), completará dois meses que já estamos em Campinas, com saudades da “terrinha”, mas também contentes por tanto amor, consolo e a gratidão pelo benefício de estar ao lado de nossos pais, preparando-nos para uma situação bastante complexa. Não sabemos precisar a qualidade de vida que Nina terá – mas seguramente faremos o possível para que seja a melhor. Ainda oramos para que Deus a cure e que a dê uma vida saudável, mas acima disso, que em todo o processo da decisão soberana de nosso Deus, Seu nome seja glorificado.
 
(…)
 
Eu e minha família somos muitíssimos gratos a cada um de vocês que tem orado e contribuído de outras formas para o ministérios que juntos desenvolvemos. Que o Senhor possa retribuir conforme sua justiça e graça.
 
Agradeça conosco
  • Por tanto carinho recebido. Não merecemos nada disso e louvamos a Deus por Sua bondosa mão acolhedora e provedora.
Peça conosco
  • Nina está na reta final. Que o Zambelli, Karen e Enzo estejam especialmente preparados para este dia.