Ao invés de dizer “aguente firme!”

Por Paul Tripp

Título original: “Aguente firme!”

Você já viveu uma situação difícil e, ao passar por ela, alguém lhe disse “aguente firme”? Talvez você mesmo tenha dito isso a um amigo, recentemente.

Acho que nossa intenção é boa quando falamos coisas assim, e nosso objetivo é encorajar aqueles a quem amamos, mas sejamos honestos: “aguente firme” não ajuda muito a reanimar nosso espírito ou a fortalecer nossa postura.

Sendo ainda mais honesto, algumas vezes, acho que dizemos “aguente firme” porque não estamos preparados para ministrar às pessoas que compartilham os sofrimentos delas conosco. Então, o que deveríamos dizer da próxima vez que alguém se abrir conosco?

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A verdade é fundamental para o verdadeiro consolo

Não preciso usar muitas palavras para convencer as pessoas a respeito da dor existente na triste experiência de perder um filho. E com tamanha dor somos tentados a deixar de lado a razão e a fé – a porta do abrigo parece estar trancada e a única aparente opção é assistir e pensar, com algum cuidado, na tempestade do lado de fora. Nesta tempestade (sofrimento intenso), raios e trovões estão presentes: “Por que isso aconteceu comigo?” “Por que Deus permitiu isso?” “Será que tenho alguma culpa?” Durante a minha tempestade, a morte de minha filha Nina, um destes raios foi a pergunta: “onde ela está agora?”

Ainda que eu não pretenda tornar essa mensagem um artigo teológico, eu preciso avisá-los: saber a verdade foi fundamental para eu entrar no abrigo.

Foi em 1999 quando o dono da chave deste abrigo, percebendo que eu estava perdido, se introduziu e me ofereceu um presente irrecusável. Após receber o imerecido presente, entramos no abrigo, o qual me trouxe uma paz sem igual. Falar tanto do abrigo quanto dessa paz soa como loucura para alguns. Naquele dia, quando nos conhecemos, ele disse que eu tinha livre acesso ao abrigo, mas os estrondos da tempestade de 2012 me deixaram confuso e eu me esqueci do livre acesso. Eu até havia tentado entrar, mas eu não tinha girado completamente a maçaneta da porta de entrada.

Enquanto isso, do lado de fora e sob a tempestade, eu busquei soluções baseadas no meu conhecimento. Eu tinha muitas respostas para diversas perguntas, mas meu conhecimento não era suficiente para lidar com as perguntas daquela tempestade – “onde minha filha está agora?” Tudo o que eu sabia ser verdade[1] eu havia aprendido por intermédio do dono da chave do abrigo.

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Supostas palavras de piedade e consolo

É verdade, sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam (Romanos 8:28). Apesar de divina e verdadeira, a sentença, cuja essência transborda de esperança, consolo e alegria, pode ser bastante agressiva (ofensiva) se usada negligentemente, mais especificamente, se usada sem conhecer o coração humano quando diante do sofrimento.

Por exemplo, quando tínhamos o diagnóstico de que Nina tinha síndrome de Patau, também já tínhamos nossas passagens de avião compradas para Campinas-SP. Na época morávamos em Cabedelo-PB e, apesar de gostarmos muito de lá, a mudança foi tanto uma sugestão médica, quanto uma opção pessoal. Médica, porque os hospitais de João Pessoa-PB, segundo alguns profissionais da área de saúde nos disseram, não estavam preparados para caso precisássemos de uma intervenção cardíaca pós-parto. Pessoal, porque queríamos estar ao lado de nossos familiares, amigos próximos e igreja (enviadora).

Uma semana antes da nossa viagem, ouvimos a mensagem dominical da nossa igreja de Campinas online e ao vivo. Ao final do culto, nosso sábio pastor, sem saber que estávamos assistindo, orientou a igreja: “Zambelli e Karen estão vindo para cá. É muito provável que muitos de vocês queiram, agora, consolá-los. Deixe-me dizer, vocês não precisam falar nada! Vocês não têm que falar. É provável que você não saiba o que falar e, quando falar, não saia da forma como você gostaria que saísse. Assim, mesmo que você não consiga se controlar e vai falar, diga ‘estou orando por vocês.'” (As palavras não eram exatamente estas, mas a essência é fiel ao que relatei aqui.)

Quando chegamos em Campinas e fomos ao culto, ouvimos de dezenas de amigos e irmãos na fé: “estou orando por você(s).” Foi consolador saber disso. De fato, eu nunca estive numa posição tão paradoxal entre alegria, tristeza, paz e luta em toda minha vida. Costumo dizer: “ainda que eu não saiba mensurar em números, foram as orações das centenas de pessoas que nos mantiveram de pé.” [1]

Porém, apesar do sábio conselho pastoral, alguns arriscavam frases aparentemente piedosas para nos consolar, tais como:

  • “Deus é soberano e sabe o que faz;”
  • “No final tudo dará certo;”
  • “Ainda bem que você são fortes;”

Entre as frases, alguns versículos eram citados, mas nenhum deles mais que a primeira parte de Romanos 8:28 (na versão Revista e Atualizada): Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.

David Powlison, no artigo I’ll never get over it [Eu nunca superarei isso] (JBC 28:1 [2014]: 8-27), escreveu:

“Quando você está no início do processo de enfrentar a dor, é um insulto alguém lhe dizer: Deus vai fazer algo bom através disso.”

Ainda que insulto não fosse bem a palavra que descrevia meu sentimento, eu me sentia como se as pessoas estivessem depreciando o meu sofrimento. Paul Tripp e Timothy Lane, sobre isso escreveram:

As Escrituras nos lembra que nunca devemos considerar o sofrimento de forma leve, porque Deus não o considera assim. A mensagem central da Bíblia é que Deus não passou por cima do sofrimento, mas tomou medidas custosas para terminar com ele. Ele nos enviou um Redentor, Seu filho Jesus Cristo, que sofreu ao nosso lado para nos dar esperança, propósito e perseverança em meio às lutas da vida. (How People Change, 2006).

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Your Child – Linda canção consoladora e motivadora

Achei esta canção de Jeniffer Shaw extremamente consoladora e motivadora para que cada pai e mãe continue amando seus filhos, com todo cuidado e zelo, à semelhança de Deus para conosco.

Your Child


Letra

She’s up at six a.m. to dress and feed him
She helps him from the wheelchair to the van
And drives the fifty miles to his appointment
And the next day she will do it all again
I asked her how she does it everyday
How do you keep on going with such grace?

And she said, “When those eyes are looking up at mine
Every trial, every fear in that moment disappears
And you realize that it’s all worthwhile
When it’s your child.”

They haven’t slept since 2007
Since the doctor placed that baby in their arms
Daddy’s working days and nights and on the weekends
And you wonder how it’s weighing on his heart
I asked him how he does it everyday
How do you keep on going with such faith?

And he said, “When those eyes are looking up at mine
Every trial, every fear in that moment disappears
And you realize that it’s all worthwhile
When it’s your child.”

Tradução

Ela se levanta às seis horas para vesti-lo e alimentá-lo
Ela o ajuda da cadeira de rodas a van
E dirige 50 milhas até a consulta médica
E no dia seguinte ela fará tudo de novo
Eu perguntei como ela faz isso todos os dias
Como você continua com tanta graça?

E ela disse: “Quando aqueles olhos estão olhando para os meus
Cada prova, cada medo, naquele momento desaparece
E você percebe que tudo vale a pena
Quando é o seu filho.”

Eles não dormem desde 2007
Desde que o médico colocou aquele bebê em seus braços
Papai trabalha dias e noites, também nos finais de semana
E você se pergunta como está seu coração
Perguntei-lhe como ele faz isso todos os dias
Como você continua com tanta fé?

E ele disse: “Quando aqueles olhos estão olhando para os meus
Cada prova, cada medo, naquele momento desaparece
E você percebe que tudo vale a pena
Quando é o seu filho.”