Cartas da História (Parte 11)

Parte 12
30/01/2012 – Orando por Nina, orando pelo Reino do Senhor Jesus
Queridos,
Como muitos de vocês já sabem, desde 01 de dezembro eu e minha família estamos em Campinas-SP. Quando esta data foi estabelecida, nada passava em nossa cabeça sobre ficar mais de um mês, tempo inicialmente planejado. Deixe-me lhes contar um pouquinho sobre isso.
 
Há cerca de um ano e meio, através de uma radiografia, foi visto algo estranho entre minha tíbia e fíbula (ossos da perna). Achamos que fosse um osteocondroma (tumor benigno ósseo), pois eu já havia tido um no mesmo lugar há 12 anos. Decidimos que eu faria a cirurgia em Campinas, em dezembro de 2011. Assim, marcamos em aproximadamente agosto/setembro de 2011 o dia de nossa aterrissagem para este fim. Daí vieram as notícias sobre Nina.
 
Na primeira fase, quando descobrimos que ela tinha lábio leporino e fenda palatal, conversamos com a liderança da IBCU, que nos sugeriu ficarmos um ano e meio para cuidarmos deste problema. Depois, ao descobrimos a síndrome, há menos de 10 dias de nossa aterrissagem, consideramos ficar seis meses a menos, ou seja, um ano completo. Pela misericórdia de Deus foi descoberto que eu não precisaria da cirurgia. Motivo: a imagem que se suspeitava não era um tumor benigno, mas um calo ósseo que cresceu de ambos os lados e se juntou, possivelmente decorrente da cirurgia, há 12 anos. Aleluia!
 
No final deste mês (janeiro), completará dois meses que já estamos em Campinas, com saudades da “terrinha”, mas também contentes por tanto amor, consolo e a gratidão pelo benefício de estar ao lado de nossos pais, preparando-nos para uma situação bastante complexa. Não sabemos precisar a qualidade de vida que Nina terá – mas seguramente faremos o possível para que seja a melhor. Ainda oramos para que Deus a cure e que a dê uma vida saudável, mas acima disso, que em todo o processo da decisão soberana de nosso Deus, Seu nome seja glorificado.
 
(…)
 
Eu e minha família somos muitíssimos gratos a cada um de vocês que tem orado e contribuído de outras formas para o ministérios que juntos desenvolvemos. Que o Senhor possa retribuir conforme sua justiça e graça.
 
Agradeça conosco
  • Por tanto carinho recebido. Não merecemos nada disso e louvamos a Deus por Sua bondosa mão acolhedora e provedora.
Peça conosco
  • Nina está na reta final. Que o Zambelli, Karen e Enzo estejam especialmente preparados para este dia.

Cartas da História (Parte 10)

Parte 10
10/01/2012 – do osteocondroma à síndrome de Patau

Queridos,
 
como é bom estar no meio de tanta gente que demonstra amor por nós. Deus sem dúvida tem sido muito benevolente para conosco. Como é bom saber que há tanta gente que intercede ao Pai por nossas vidas. Deus é sem dúvida fiel às Suas palavras. Como é bom saber que Deus é capaz de agir mesmo quando enxergamos as coisas como impossíveis. Deus é sem dúvida singular.
 
Como a atenção principal de nossas notícias toca diretamente a vida de nossa filha, a Nina, já digo para vocês: ela está bem, enquanto dentro da barriga da mamãe. A síndrome de Patau traz comprometimentos cardíacos, desafios mentais, deficiência renal, microcefalia e outros. Aguardamos em Deus uma mudança, mas já sabemos em Deus, da bem vinda provisão que ele nos deu. Reconhecemos o poder de Deus para fazer Nina nascer perfeita, bem como sua soberana vontade em agir conforme Ele quiser. Nisso nós descansamos.
 
Enzo está muito alegre em Campinas, tendo ao seu lado muitos amiguinhos e amiguinhas que não via há algum tempo. Conseguimos, com a ajuda de alguns irmãos, a colocá-lo numa boa escola. Karen também está ótima, e continua a trabalhar com scrapbooking.
 
Eu recebi uma notícia muito agradável esta tarde. Eu não precisarei de cirurgia e devo voltar mais breve ainda ao trabalho. Aquilo que se parecia com um osteocondroma no raio-X, foi melhor visto na tomografia como sequelas de uma cirurgia passada. Sim, minha tíbia está colada em minha fíbula, mas não sinto grandes incômodos. Talvez eu coloque uma foto da tomografia no facebook 🙂 Agradeço ao Senhor por ter me ouvido. Agradeço a cada um de vocês que orou por mim e por isso. Sem dúvida nosso Deus é grande, e este é somente um pequeno exemplo de sua infinitude.
 
Orem pela vida de Nina.

Cartas da História (Parte 9)

Parte 9
28/12/2011 (Em Campinas-SP) – Um voo sobre essa história
 
Queridos amigos e irmãos,
como vocês possivelmente perceberam pelo cabeçalho desta cartinha, nós estamos em Campinas-SP. Isso mesmo, estamos em Campinas desde o primeiro dia de dezembro. Desde nosso planejamento para passar o final do ano por aqui, as coisas mudaram bastante.
 
Mais ou menos no dia 10 de novembro nós descobrimos que nossa filha, Nina, que ainda está na barriga da mamãe, tem lábio leporino e fenda palatal. Ficamos muito tristes com a notícia, que veio a se tornar o menor dos males. Na semana seguinte desta descoberta, foi encontrado um problema cardíaco em seu pequenino coração. Tal associação de problemas sugeria algo ainda mais problemático, que foi diagnosticado com um exame genético próximo ao dia 23 de novembro: síndrome de Patau, uma trissomia do cromossomo 13; segundo a medicina, incompatível com a vida.
 
Quando planejamos nossa vinda para Campinas, o intuito principal era a retirada de um osteocondroma na perna direita do Zambelli, marcada agora para a primeira metade de janeiro. Com toda essa informação sobre a Nina, tomamos a decisão, junto à igreja, de ficar todo o ano de 2012 por aqui. Zambelli ajudará e aprenderá com três pastores em diferentes áreas: jovens, discipulado de adultos e evangelização. Que Deus lhe dê discernimento e humildade em tudo o que fizer.
 
Fizemos mais dois exames neste final de ano. Nina continua muito bem enquanto dentro da mamãe. Seu coração bate forte e ela cresce bem. Enquanto isso, nossos corações, mesmo tristes, encontram força no Deus que é capaz de aprovisionar nossas almas. Agora, neste mar de novidades, nunca pensamos ser tão grande a maré em prol do aborto. Que Deus continue nos dando a certeza das corretas decisões.
 

Por agora estamos morando com o Pr. Oswaldo e Inayá (pais da Karen), mas antenados para alguma moradia que nos aparecer. Eles têm sido extremamente carinhosos. Enzo tem se divertido muito com eles, seu avós paternos (Antonio e Vicentina) e vários amigos e amigas que ele não via há algum tempo. Somos extremamente gratos a Deus por isso!

Pedido de oração

  • Pelo nossa fidelidade para com Deus, especialmente neste momento delicado de gestação. Orem por um milagre, mas também orem para que possamos tomar as melhores decisões quando nos forem requisitadas.


Agradecimentos

  • Pelas várias pessoas que têm orado constantemente por nós, especialmente por Nina;
  • Pela IBCU, que nos acolheu com tanta prontidão e carinho;
  • Por algumas ofertas específicas, que nos abençoa muito!
  • Pela provisão de Deus em nos deixar a par sobre os problemas que Nina tem;
  • Pela liderança do ministério de missões da IBCU, que tanto faz e pensa no Reino de Deus.



Cartas da História (Parte 8)

Parte 8
10/12/2011 – Cada sofrimento é um sofrimento

Queridos,

graças a Deus chegamos muito bem em Campinas-SP. Estamos aqui desde o dia 01/dezembro e temos visto muitos dos nossos. Os familiares estão felizes, os amigos estão contentes e nós estamos alegremente consolados por aqui estarmos, mesmo que já com saudades da linda Paraíba e de nossos irmãos e irmãs de lá. Aliás, agradeço a todos eles pelo carinho e especialmente pela diária intercessão em favor de nosso bem-estar. Que tudo isso seja para honra e glória do único Deus.

Há alguns dias foi decidido nosso tempo por aqui: ficaremos até final de 2012, início de 2013. Obviamente que não queríamos passar todo este tempo, mesmo que desejoso, em função de algo como o que temos passado, mas reconhecemos a provisão e graça de Deus para este acontecimento. De uma perspectiva horizontal, não há motivos para sorrirmos neste tempo. Conhecemos o Deus que nós temos e sabemos que Ele é poderosos para fazer com que Nina (cerca de 27 semanas de vida dentro da mamãe) seja curada. Reconhecemos também, que ele é onisciente, e pode não mudar as coisas que nós gostaríamos, sendo isso para o nosso benefício, mas especialmente em prol de Seu Reino. Aleluia – e isso não é um clichê.

Não há como não ter nossa mente e coração mudados nesta situação: saber que sua filha tem uma trissomia que não é compatível com a vida (palavras da medicina) mexe profundamente conosco. Isso poderia nos levar à decepção com Deus; poderia nos afundar em depressão; poderia nos conduzir a uma caverna de introspecção profunda. Entretanto, esta experiência tem nos levado a notar ainda melhor a graça e amor de Deus; Sua misericórdia e carinho sem fim; Sua paz, que excede o conhecimento do homem. Aproveito este momento para dizer obrigado a todos que tem orado por nós: parte dessa nossa positiva experiência é também por causa de suas orações.

Aproveito esta carta também para compartilhar um bom aprendizado durante essa história: “cada sofrimento é um sofrimento.” Uma das formas como nossos amigos e irmãos tentam nos consolar é a partir de uma outra experiência, uma forma de comparação. Tive um bom amigo que há alguns anos morreu afogado. Tive outro que morreu num mergulho na piscina. Tenho amigos que perderam seus filhos quando adolescente e outros quando criança. Tenho amigos que perderam seus filhos quando bebês, com menos de um ano de idade, às vezes por razões aparentemente inexplicáveis. Na teoria eu sei há algum tempo: uma das maiores dores que podemos sentir é a perda de um filho ou filha.

Todavia, cada dor é uma dor. Cada sofrimento é um sofrimento. Cada pessoa é uma pessoa – não há como comparar as situações. Não há situações melhores ou piores do que aquela que temos passado. Há situações diferentes, para pessoas diferentes. Pessoas que Deus capacitou de forma diferente e deu limite diferente para ir até onde ele ou ela aguenta. Geralmente chamo de herói as pessoas que eu acredito terem mais deste poder, de ir muito além do que eu acredito poder ir. O sofrimento, para quem nele está, é real e tão grande quanto qualquer outro grande sofrimento, que para alguns, pode ser tão pequeno como qualquer outro do mesmo tipo. Aprendi a não comparar os sofrimentos…

Acredito que temos sido fiéis a Deus (aleluia por isso). John Piper certa vez disse: “não desperdice seu câncer.” Eu tenho dito: “não quero desperdiçar meu docinho, a Nina.” Ela já tem sido instrumento de Deus:

  • Temos dependido mais de Deus;
  • Ela levou muitos a orar mais do que estão acostumados;
  • Ela tem me ajudado em oportunidades para evangelizar;
  • Ampliou alguma sensibilidade que eu tinha para questões como deficiência física ou mental;
  • Consolidou ainda mais nosso conhecimento sobre a soberania de Deus.

Que em tudo isso, Deus seja o único e sempre digno de louvor. A Ele toda honra e toda glória para sempre. Peço humildemente que continuem a orar por nós. Precisamos disso.

nEle.

Cartas da História (Parte 7)

Parte 7
30/11/2011 – Retorno a Campinas-SP

Queridos,

hoje deixamos João Pessoa por um tempo. São vários os planos que tínhamos; “ao homem pertencem os planos do coração, mas do Senhor vem a resposta da língua.”

Seguramente temos aprendido muito com toda a situação que temos enfrentado. Aprendemos a confiar mais em seu amor e justiça, e percebemos com mais clareza sua provisão e zelo. Temos sido muito confortados pelos irmão daqui e de outros lugares do mundo. A vocês todos que oraram e oram por nós, OBRIGADO!

Como já disse em algumas situações, queremos agora viver a alegria de depender em Deus. Pedimos por fé e por fidelidade. Queremos deixar a tristeza para depois, visto que não tenho razões para duvidar sobre o que meu Deus pode fazer. Se Ele curar Nina, não ficarei surpreso. Se Ele não curar, sujeitar-me-ei à Sua vontade e alegrar-me-ei. Quando isso acontecer, espero que nenhum irmão pense que sou insensível, mas que percebam o que já temos sentido: “a paz de Deus, que excede todo entendimento.” Como no versículo, o resultado tem sido genuinamente o que disse o apóstolo Paulo: “nosso corações e mentes estão guardadas em Cristo Jesus” (Fp 4.6).

Ore conosco, por favor:

  • Por segurança em nossa viagem;
  • Por cura pela Nina e consolação aos nossos corações;
  • Por ousadia e discernimento ao contarmos aos nossos amigos e parentes que ainda não sabem. Cremos ser esta uma oportunidade de falarmos do Médico dos médicos, Senhor dos senhores para eles.

Até mais para todos vocês.

Obs.: Eu havia enviado esta carta sem a boa correção da Karen.