Cartas da História (Parte 8)

Parte 8
10/12/2011 – Cada sofrimento é um sofrimento

Queridos,

graças a Deus chegamos muito bem em Campinas-SP. Estamos aqui desde o dia 01/dezembro e temos visto muitos dos nossos. Os familiares estão felizes, os amigos estão contentes e nós estamos alegremente consolados por aqui estarmos, mesmo que já com saudades da linda Paraíba e de nossos irmãos e irmãs de lá. Aliás, agradeço a todos eles pelo carinho e especialmente pela diária intercessão em favor de nosso bem-estar. Que tudo isso seja para honra e glória do único Deus.

Há alguns dias foi decidido nosso tempo por aqui: ficaremos até final de 2012, início de 2013. Obviamente que não queríamos passar todo este tempo, mesmo que desejoso, em função de algo como o que temos passado, mas reconhecemos a provisão e graça de Deus para este acontecimento. De uma perspectiva horizontal, não há motivos para sorrirmos neste tempo. Conhecemos o Deus que nós temos e sabemos que Ele é poderosos para fazer com que Nina (cerca de 27 semanas de vida dentro da mamãe) seja curada. Reconhecemos também, que ele é onisciente, e pode não mudar as coisas que nós gostaríamos, sendo isso para o nosso benefício, mas especialmente em prol de Seu Reino. Aleluia – e isso não é um clichê.

Não há como não ter nossa mente e coração mudados nesta situação: saber que sua filha tem uma trissomia que não é compatível com a vida (palavras da medicina) mexe profundamente conosco. Isso poderia nos levar à decepção com Deus; poderia nos afundar em depressão; poderia nos conduzir a uma caverna de introspecção profunda. Entretanto, esta experiência tem nos levado a notar ainda melhor a graça e amor de Deus; Sua misericórdia e carinho sem fim; Sua paz, que excede o conhecimento do homem. Aproveito este momento para dizer obrigado a todos que tem orado por nós: parte dessa nossa positiva experiência é também por causa de suas orações.

Aproveito esta carta também para compartilhar um bom aprendizado durante essa história: “cada sofrimento é um sofrimento.” Uma das formas como nossos amigos e irmãos tentam nos consolar é a partir de uma outra experiência, uma forma de comparação. Tive um bom amigo que há alguns anos morreu afogado. Tive outro que morreu num mergulho na piscina. Tenho amigos que perderam seus filhos quando adolescente e outros quando criança. Tenho amigos que perderam seus filhos quando bebês, com menos de um ano de idade, às vezes por razões aparentemente inexplicáveis. Na teoria eu sei há algum tempo: uma das maiores dores que podemos sentir é a perda de um filho ou filha.

Todavia, cada dor é uma dor. Cada sofrimento é um sofrimento. Cada pessoa é uma pessoa – não há como comparar as situações. Não há situações melhores ou piores do que aquela que temos passado. Há situações diferentes, para pessoas diferentes. Pessoas que Deus capacitou de forma diferente e deu limite diferente para ir até onde ele ou ela aguenta. Geralmente chamo de herói as pessoas que eu acredito terem mais deste poder, de ir muito além do que eu acredito poder ir. O sofrimento, para quem nele está, é real e tão grande quanto qualquer outro grande sofrimento, que para alguns, pode ser tão pequeno como qualquer outro do mesmo tipo. Aprendi a não comparar os sofrimentos…

Acredito que temos sido fiéis a Deus (aleluia por isso). John Piper certa vez disse: “não desperdice seu câncer.” Eu tenho dito: “não quero desperdiçar meu docinho, a Nina.” Ela já tem sido instrumento de Deus:

  • Temos dependido mais de Deus;
  • Ela levou muitos a orar mais do que estão acostumados;
  • Ela tem me ajudado em oportunidades para evangelizar;
  • Ampliou alguma sensibilidade que eu tinha para questões como deficiência física ou mental;
  • Consolidou ainda mais nosso conhecimento sobre a soberania de Deus.

Que em tudo isso, Deus seja o único e sempre digno de louvor. A Ele toda honra e toda glória para sempre. Peço humildemente que continuem a orar por nós. Precisamos disso.

nEle.

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